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The dynamics of the Brazilian architectural convention of the ‘laje’– a concrete roof featured as a supplemental pavement in domestic homes, often defined and characterized as a bridged social space that is unregulated and distinct, operates as a sort of matrix to Cobertura’s own goal of intersecting individual bodies, affects, fields of discipline and interests.  The project understands that the ‘laje’ is a performative space to dispose and display the participants' visible world, to organize and signify its forms, shapes and surfaces according to a non hegemonic, active center, modeled by necessity and design.

Cobertura emerged spontaneously after photographer Cassia Tabatini and art director Marcelo Alcaide undertook a 48 hour spell of recording friends, guests and models on a rooftop in downtown São Paulo.  The bodies in situ were ones that evade hegemonic societal norms, dissident in their forceful existence, and both manifest and incarnate examples of the period of re-democratization and insertion that Brazilian youngsters experienced until the mid 2010’s.   Cobertura immediately became about being with and among other visible and observing beings.  It is in this sense that Tabatini and Alcaide prompted themselves to evade the conventional modalities of fashion shoots and campaigns.
 
Instead, in tandem with labels Courrèges, Telfar Global, Y/Project, Random Identities, and Vava Dudu, the project has sought to mine the progressive core that these brands share in order to issue discordance with the increasing restrictions of civil liberties and the rise of extreme conservative ideologies across the globe.

A key feature of Cobertura is the succession of open ended and reflexive collaborations that unfold as the project registers and responds to its own participants.  Epitomized so far in three interconnected presentations held at Carpintaria-RJ, Casa Triangulo, and Esponja São Paulo; each of these individual outings conflated various creative voices at the same time that they enframed in real time the collapse of boundaries between site and subject, bodies and objects, representation and spectatorship.  Such intention has been expressed, for example, in the haptic display of manipulated found garments, elaborated through the conversational hands of creatives F. Kawallys, Lucas Ribeiro and Alcaide and Tabatini themselves - ultimately presented as stand-in sculptural frameworks of bodies both absent and present.


Gabriel Lima, SP 2020


PT

A concepção arquitetônica brasileira da laje - um telhado de concreto em pavimento suplementar em residências domésticas, muitas vezes caracterizado como um espaço social em ponte, não regulamentado e distinto - funciona como uma espécie de matriz para o objetivo da Cobertura de cruzar corpos individuais, afetos, campos de disciplina e interesses. O projeto entende que a 'laje' é um espaço performativo para dispor e exibir o mundo visível dos participantes, organizar e significar suas formas e superfícies de acordo com um centro ativo não hegemônico, modelado por necessidade e design.

Cobertura surgiu espontaneamente depois que a fotógrafa Cassia Tabatini e o diretor de arte Marcelo Alcaide realizaram um período de 48 horas de gravação de amigos, convidados e modelos em uma laje no centro de São Paulo. Os corpos in situ eram aqueles que fogem às normas societárias hegemônicas, dissidentes em sua existência enérgica, e ambos manifestam e encarnam exemplos do período de redemocratização e inserção que os jovens brasileiros experimentaram até meados de 2010. Desde o início, Cobertura foi e esteve com e entre outros seres visíveis e observadores. Determinado a produzir material que evite as modalidades convencionais de sessões de fotos e campanhas de moda, juntamente com as marcas internacionais Courrèges, Telfar Global, Y/Project, Random Identities e Vava Dudu, o projeto buscou explorar o núcleo progressivo que essas marcas compartilham para emitir discordância com as crescentes restrições das liberdades civis e o surgimento de ideologias conservadoras extremas em todo o planeta.

Uma característica fundamental do Cobertura é a sucessão de colaborações abertas e reflexivas que se desenrolam à medida que o projeto é registrado e são apropriadas por seus próprios participantes. Epitomizado até agora em três apresentações interconectadas realizadas em Carpintaria-RJ, Casa Triângulo e Esponja São Paulo, cada um destes eventos individuais reunia várias vozes criativas ao mesmo tempo em que realizavam em tempo real o colapso das fronteiras entre local e sujeito, corpos e objetos, representação e espetáculo. Essa intenção foi expressa, por exemplo, na exibição háptica de peças de vestuário manipuladas, elaboradas pelas mãos conversacionais dos criativos F. Kawallys, Lucas Ribeiro e Alcaide e Tabatini - em última análise, apresentadas como estruturas esculturais de corpos tanto ausentes quanto presentes. Esse horizonte de estratégias cooperativas continua com a publicação futura de escritos do poeta Grillo, do Rio de Janeiro, e na série de retratos extensa e em andamento patrocinados pela Polaroid e realizada pelos co-criadores.

Tabatini e Alcaide estão decididos a gerar uma plataforma coesa que serve para amplificar as vozes dos jovens criativos que exploram diferentes meios e modalidades de expressão. Enquadrando tanto seu eu cotidiano quanto sua produção criativa, Cobertura busca possibilitar e afirmar um futuro emergente de práxis e discurso culturais.

Vrs. Portuguesa Mariana Gatti